segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Passou... Passa... Passará

É incrível como, a todo momento, somos bombardeados pelo sentimento de permanência e ausência (ou passagem, como queiram).


Exemplos de como somos doutrinados por essas ações são bem expressos em músicas. Aqui vão três exemplos, em diferentes estilos, que fizeram muito sucesso e que ficaram martelando em nossas mentes durante tempos e tempos.

A música de Roberto Carlos, atualizada na voz de Cláudia Leite, traz os sentimentos de ausência e passagem bem suvertidos. Por mais que o apego ao passado lembre coisas ruins, ainda existe a possibilidade de volta.

O carinho dispendido no passado é maior do que os problemas. Então, o que passou não foi a pessoa amada, mas tudo o que provocou a separação.

Assim, "o que passou, passou... então vem!"

Amor Perfeito:
http://www.youtube.com/watch?v=KXaDsQtnSIo

O verbo passar no tempo presente é trazido por Túlio Dek para ilustrar os conselhos que muito ouvimos quando temos pendengas.


O presente que se reveste de utopia, a eterna expectativa que, especialmente, todo brasileiro carrega de que o futuro será melhor.


O próprio nome da música diz: "Tudo passa". Mensagem mais clara, impossível.

Túlio Dek:
http://www.youtube.com/watch?v=Zj_9LX7LAZk

Enquanto"Tudo passa" fala do presente com vistas no futuro, o mega sucesso de Nelson Ned - "Tudo passará" - joga diretamente no que está por vir.

Curiosamente, no entanto, a música aproxima-se mais de "Amor Perfeito", ao falar de um amor conturbado. Substituindo "o que passou, passou", surge "nada fica, nada ficará".

Nelson Ned:
http://www.youtube.com/watch?v=g6r_YtYllE0


Há muitas outras canções que poderiam figurar aqui, mas essa mostragem já nos deixa a idéia de que "passar" e "ficar" não estão assim tão distantes do nosso dia-a-dia, aparecendo, há anos, em músicas que nos fazem pensar.

domingo, 1 de novembro de 2009

As antíteses da vida

Duas ações tão distintas - passar e ficar - revelam-se, no fundo, constâncias em nossas vidas.
É óbvio, ululante, mas também desafiador refletirmos em que circunstâncias fazemos uso dessas práticas.
Vejamos:
Quantas não são as vezes que queríamos eternizar um momento de extrema felicidade? Ou apagar determinada situação que, volta e meia, surge em na mente apenas para nos tirar o sossego?
Não há nada, nem ninguém que deixe de passar pelo crivos de nossas escolhas.
Isso fica com certeza, isso passa logo, logo, essa fica para todo o sempre, esse vai embora para não nunca mais voltar!

Somos todos seletivos e passíveis de seleção. Embora muitos não percebam mais essa obviedade e continuem insistindo nos mesmos erros ou nas mesmas pessoas erradas, na esperança de uma mudança vinda sabe-se lá de onde.
Mas, fortuitamente, na maioria dos casos, amadurecemos e não repetimos as velhas fórmulas. É assim que percebemos o próprio amadurecimento ou, na falta de auto-crítica, somos elogiados por essa postura.
O que não podemos - se queremos com afinco algo/alguém - é contemporaneizar.
Dizer que a vida é assim... Conformarmo-nos com os acontecimentos. Ou apenas pedirmos para que algo nunca mais se repita.
As mudanças são internas. Quem decide o que fica e o que passa somos nós.
Porque quem não reage fica no mesmo lugar e as oportunidades passam!
(Isso tudo só para começar!)